Nenhuma dessas empresas divulga quanto gasta em pesquisa de tennis. Mas dá pra mapear onde cada uma põe esforço — pelas patentes, pelas parcerias anunciadas e pelas linhas de produto. Este é o quadro de hoje, do lado do equipamento e do lado da tecnologia de dados.
Quase toda a inovação recente é em material de frame, simulação e química de corda — não em geometria nova.
| Marca | Onde põe esforço |
|---|---|
| Wilson | Simulação (FEA) pra deixar o frame flexível sem perder estabilidade; material anti-vibração Countervail (de origem aeroespacial); padrões de corda pra spin; frame impresso em 3D (Airé) e design generativo. |
| Head | Material de frame como bandeira: Graphene, depois Auxetic (o yoke se deforma de um jeito diferente no impacto), boro; muita co-engenharia com jogadores do topo. |
| Babolat | Aerodinâmica de frame (linha Aero); química de co-poliéster (RPM Blast); foi quem mais apostou em raquete com sensor no cabo (Babolat Play). |
| Yonex | Formato isométrico herdado da pesquisa de badminton; grafite flexível Namd, desenvolvido com a Nitta; malhas internas de amortecimento. |
| Prince | Portas O3 no frame (mexem no arrasto e no comprimento livre da corda); carbono spread-tow (Textreme). Foi o inovador histórico — a raquete oversize é de 1976. |
| Dunlop | Aproveita a P&D de borracha da matriz Sumitomo (uma fabricante de pneus); espuma de TPU da BASF embutida no frame; pesquisa de bola. |
| ProKennex | Sistema Kinetic: cápsulas com massa de tungstênio que se movem pra absorver choque — proposta voltada a quem tem dor no cotovelo. |
Luxilon (da Wilson), Solinco, Babolat, Yonex, Tecnifibre, MSV — todos iterando a química do co-poliéster, perfis de fio moldados e revestimentos, quase tudo mirando spin e controle. Vale lembrar: foi a corda de poliéster, não a raquete, que disparou a revolução do topspin no fim dos anos 1990.
Wilson (US Open), Dunlop/Sumitomo (Australian Open) e Slazenger (Wimbledon, também Sumitomo) pesquisam o composto do núcleo, o tipo de feltro e a retenção de pressão. A frente mais nova é sustentabilidade — bolas sem pressão interna e com material reciclado (Wilson Triniti, Dunlop).
É pra cá que o dinheiro grande migrou nos últimos anos.
- Hawk-Eye Innovations (da Sony) — arbitragem eletrônica de linha, hoje substituindo os juízes de linha no circuito. A ATP a tornou obrigatória a partir de 2025.
- Foxtenn — concorrente espanhol; usa imagem real (câmeras de alta velocidade somadas a lasers) em vez de um modelo que prevê a trajetória.
- Tennis Data Innovations (ATP + Sportradar) — detém os direitos dos dados oficiais e banca a instalação do rastreamento nos torneios. A trajetória da bola virou produto: transmissão, apostas, coaching.
SwingVision (machine learning rodando dentro do próprio iPhone, feito por ex-engenheiros da Apple), PlaySight, Mojjo, Dartfish. O sensor de hardware no consumidor basicamente fracassou — Sony, Zepp e Babolat Play foram descontinuados — e a aposta hoje é software puro, a partir de vídeo comum.
Laykold (US Open desde 2020), GreenSet (Australian Open), Plexipave, Har-Tru (saibro). A pesquisa aqui é sobre ritmo da quadra (o Court Pace Rating da ITF), absorção de impacto e carga sobre as articulações do jogador.
Pesquisa publicada e revisada, não comercial.
- ITF Technical Centre — testa e homologa raquetes, cordas e bolas; estudos sobre spin e movimento da corda.
- Sheffield Hallam University (Sports Engineering) — aerodinâmica da bola, trabalhos em parceria com a ITF.
- Universidade de Sydney (Rod Cross), Loughborough, Washington State — mecânica de impacto e testes de bola.
- Grand Slams com a IBM (Wimbledon, US Open) — financiam a camada de inteligência artificial voltada ao torcedor.
Este panorama é montado a partir de informação pública — patentes, linhas de produto, parcerias anunciadas e pesquisa acadêmica publicada. Os valores de investimento em si não são divulgados pelas empresas.
Isso muda alguma coisa pro seu jogo?
Na prática, o que importa é traduzir tudo isso em escolha de raquete, de corda e de tática. É disso que eu cuido nas aulas.
Falar com o professor Lucas