Qual a corda certa
pra mim?

A corda muda o comportamento da raquete tanto quanto a raquete em si. Material, calibre, tensão e formato do fio — entenda o que cada um significa.

Muita gente troca de raquete achando que vai resolver o jogo, e esquece que a corda — e a tensão dela — muda completamente a resposta da bola. É a parte do equipamento que realmente toca a bola a cada rebatida. Esse guia existe pra você entender os parâmetros e escolher com mais consciência, seja pra jogar com o que já tem ou pra decidir sua próxima corda.

1
MaterialMaterial
Nylon → Co-poliéster → Multifilamento → Tripa natural

O material é o que mais define como uma corda joga — de longe o fator mais importante antes de olhar calibre ou tensão. Da porta de entrada até a mais nobre de todas:

Corda de nylon
Nylontambém chamado de tripa sintética · synthetic gutEntrada

Um único filamento de nylon extrudado (às vezes com uma casca por fora) — fabricação simples e barata, é a porta de entrada. Boa jogabilidade geral, mas perde tensão rápido.

História: o nylon foi inventado em 1938, e a Babolat lançou a Elascord em 1955 — sua primeira corda sintética, décadas antes de fabricar sua primeira raquete. Foi essa geração de cordas baratas que democratizou o tênis: pela primeira vez, jogar com uma corda decente não exigia pagar o preço de uma tripa natural.

Corda de co-poliéster
Co-poliéstertambém chamado de poliéster · poly · co-polímero (é a mesma coisa)Performance

Um filamento de poliéster (PET) extrudado misturado com aditivos que o deixam menos quebradiço e mais durável — hoje o material mais usado no tour, com mais controle e retenção de tensão, ao custo de mais impacto no braço.

História: já existia nos anos 1970, mas era considerado rígido e desconfortável demais pro uso sério — até a belga Luxilon lançar a Big Banger em 1991 e a ALU Power em 1994. O ponto de virada veio em 1997, quando Gustavo Kuerten, brasileiro de 20 anos e 66º do ranking, venceu Roland Garros jogando com ela. Em menos de uma década, o poliéster passou a dominar o circuito profissional.

Corda multifilamento
Multifilamentotambém chamado de multi · multifilamentConforto premium

Centenas ou milhares de microfibras finas trançadas e seladas com resina, imitando a estrutura da tripa natural — fabricação mais trabalhosa, resultando em muito mais conforto e uma sensação mais "viva", ótima pra quem tem dor no braço.

História: nasceu como uma evolução do nylon simples, na busca por chegar mais perto do conforto da tripa natural sem o preço dela — trançando de 4 a mais de 250 microfibras em vez de um único filamento sólido. Virou a categoria preferida de quem sofre de dor no cotovelo (a "tennis elbow"), entregando boa parte da sensação da tripa por uma fração do preço.

Tripa natural
Tripa naturaltambém chamada de natural gut · catgutExcelência

Feita de fibra da serosa do intestino bovino, torcida e polida — o único material aqui que não é sintético, o mais antigo de todos e ainda hoje considerado o de melhor sensação e potência. A mais cara e menos durável, usada por profissionais.

História: apesar do nome em inglês ("catgut"), nunca foi feita de gato — a origem do termo é incerta, uma das teorias liga o nome a um instrumento musical galês que soava como um miado. Até os anos 1960 era feita de intestino de carneiro; hoje vem do intestino de boi. A própria Babolat nasceu em 1875 fabricando tripa natural — mais de um século antes de lançar sua primeira raquete — e o modelo Touch VS, lançado em 1925, segue sendo referência até hoje.

Essa ordem reflete conforto/sensação geral, não desempenho absoluto: o co-poliéster fica no meio porque é mais "cru" no toque, mas é justamente o que domina o circuito profissional por durar mais e dar mais controle pra quem bate forte.

2
CalibreGauge
1.15–1.35 mm

O diâmetro da corda, em milímetros (às vezes indicado por um número de "gauge" que funciona ao contrário — quanto maior o número, mais fina a corda). Cordas mais finas mordem mais na bola, dando mais giro e sensação de toque, mas rompem mais rápido. Cordas mais grossas duram bem mais, ao custo de um pouco de giro e sensação.

Mais giro/sensação1.15–1.24mm
Equilibrado1.25–1.28mm
Mais durável1.30–1.35mm
3
TensãoTension
45–65 lbs (20–29 kgf)

A força usada para esticar a corda no encordoamento. Corda mais solta (tensão baixa) se deforma mais no impacto com a bola — o efeito estilingue — devolvendo mais energia: mais potência, um pouco menos controle. Corda mais esticada (tensão alta) se deforma menos, dando mais controle e precisão, ao custo de potência.

A mesma física do guia de raquetes

É o mesmo efeito estilingue explicado na seção de rigidez do guia de raquetes: quanto mais a corda se deforma no impacto, mais energia elástica ela armazena — e devolve pra bola quando volta à forma original. Corda solta se deforma mais → mais potência. Corda esticada quase não se deforma → a bola sai mais "seca", com mais controle e menos imprevisibilidade.

4
Formato do fioString shape
Redondo → Texturizado

Redondo: o formato clássico, mais durável e com sensação mais macia — mas desliza pouco entre si no impacto. Texturizado (hexagonal, pentagonal, octogonal ou quadrado): fios com "quinas" que mordem mais a bola e fazem a corda deslizar e voltar ao lugar (snap-back) com mais força, gerando mais giro. É o formato da maioria das cordas de poliéster modernas voltadas a spin — o efeito colateral é que essas quinas se desgastam mais rápido, principalmente no ponto onde a principal cruza a transversal.

5
DurabilidadeDurability
Quando trocar

Mesmo sem arrebentar, toda corda "morre" — perde a capacidade de devolver energia e passa a amortecer demais o impacto, tirando potência e sensação. Uma regra clássica do circuito: troque a corda tantas vezes por ano quantas vezes você joga por semana (jogou 3x por semana → troque a cada ~4 meses). Poliéster costuma perder a "vida" antes mesmo de rebentar — muitos profissionais trocam a cada partida — enquanto nylon e multifilamento aguentam mais tempo jogáveis, mas rompem com mais facilidade em quem bate muito forte.


14 cordas populares, na prática

Em vez de repetir o calibre (que varia bastante em cada corda), cada uma ganha um quadrinho com 6 qualidades — veja o que cada uma significa antes de olhar a tabela:

Potência
Quanto a corda devolve a bola com força "de graça", sem o jogador precisar gerar tudo sozinho.
Controle
Quão previsível fica o trajeto da bola — o quanto ela "foge" da mira em swings mais rápidos e fortes.
Conforto
Quanto a corda absorve do impacto antes de chegar no seu braço — a mais importante pra quem sente dor no cotovelo.
Giro
Quanto a bola "morde" a corda no impacto, permitindo gerar mais efeito (spin) sem perder controle.
Durabilidade
Quanto tempo até a corda arrebentar de fato, jogando no seu ritmo normal.
Retenção de tensão
Quanto tempo a corda continua jogável e "viva" antes de "morrer" (ficar mole, sem resposta) — mesmo sem rebentar.

Os números vêm dos testes publicados pela Tennis Warehouse, referência internacional em avaliação de cordas (escala de 0 a 100) — as 3 da Pro's Pro, que não é testada por lá, ganharam uma estimativa (≈) com base no formato e material. A lista está ordenada da menor pra maior nota geral, esse é o critério.

Nylon 15LPrince
Entrada, custo-benefício
Nota TW: 77/100
NylonRedondo1.35mm
Potência65
Controle84
Conforto78
Giro75
Durab.70
Retenção75
Nível recomendado: Iniciante
Taiwan · Lançada nos anos 1970
História: a tripa sintética original da Prince, dos anos 1970 — quando a marca revolucionou o tênis com a raquete de cabeça grande, também ajudou a popularizar o nylon sintético como alternativa barata à tripa natural. Até hoje é a porta de entrada clássica.
BlackoutPro's Pro
Custo-benefício com giro
Nota est.: ≈78/100
Co-poliésterPentagonal1.24mm
Potência≈50
Controle≈82
Conforto≈68
Giro≈85
Durab.≈75
Retenção≈70
Nível recomendado: Intermediário
Alemanha
História: da Pro's Pro, marca alemã fundada em 1980 com foco em equipamento acessível pra tenistas e cordoeiros — trouxe o formato pentagonal (giro extra) por um preço bem mais baixo que as cordas premium equivalentes.
Solinco Tour Bite
Tour BiteSolinco
Giro e controle extremos, clássica no tênis universitário dos EUA
Nota TW: 78/100
Co-poliésterQuadrado1.25mm
Potência54
Controle91
Conforto54
Giro94
Durab.85
Retenção75
Nível recomendado: Avançado
Taiwan · Lançada em 2009
História: uma das cordas mais usadas no tênis universitário americano (NCAA) por anos, ficou conhecida como uma alternativa mais barata que entrega giro e controle no nível das cordas de tour — o "quase-Luxilon" por um preço bem menor.
Hexaspin TwistPro's Pro
Giro extra, textura mais agressiva
Nota est.: ≈79/100
Co-poliésterHexagonal torcido1.25mm
Potência≈46
Controle≈83
Conforto≈66
Giro≈91
Durab.≈72
Retenção≈70
Nível recomendado: Avançado
Alemanha
História: uma evolução da Hexaspin, com uma leve torção no fio pra aumentar ainda mais a mordida na bola — outro exemplo da Pro's Pro adaptando tecnologia de giro pro jogador que não quer pagar preço de corda de tour.
HexaspinPro's Pro
Ótima manutenção de tensão e durabilidade
Nota est.: ≈80/100
Co-poliésterHexagonal1.30mm
Potência≈48
Controle≈85
Conforto≈70
Giro≈88
Durab.≈85
Retenção≈82
Nível recomendado: Intermediário/Avançado
Alemanha
História: mesma filosofia alemã da Blackout, com formato hexagonal — parte da missão da Pro's Pro de trazer as tecnologias de giro texturizado que dominam o circuito por um preço mais justo pro jogador amador.
Tecnifibre NRG2
NRG2Tecnifibre
O multifilamento clássico, um dos mais respeitados de todos os tempos
Nota TW: 82/100
MultifilamentoRedondo1.32mm
Potência89
Controle73
Conforto89
Giro74
Durab.69
Retenção76
Nível recomendado: Intermediário/Avançado
França · Lançada na década de 1990
História: um dos multifilamentos mais respeitados e duradouros do mercado — construída com mais de 1.200 microfibras de Elastyl, virou referência de "quase tripa natural" muito antes das multifilamento modernas existirem.
SensationWilson
Conforto e potência, ótima pro braço
Nota est.: ≈83/100
MultifilamentoRedondo1.25mm
Potência≈85
Controle≈74
Conforto≈90
Giro≈78
Durab.≈60
Retenção≈62
Nível recomendado: Iniciante/Intermediário
EUA · Lançada no final dos anos 1990
História: um dos multifilamentos originais do mercado, eleita a corda mais jogável pela USRSA em 1999 — quase 30 anos depois, continua sendo a referência de custo-benefício em conforto.
Head Velocity MLT
Velocity MLTHead
Considerada por muitos a melhor multifilamento da atualidade
Nota TW: 83/100
MultifilamentoRedondo1.30mm
Potência82
Controle81
Conforto85
Giro77
Durab.69
Retenção85
Nível recomendado: Todos os níveis
Áustria · Lançada em 2015
História: lançada em 2015 na fábrica da Head em Kennelbach, Áustria — hoje aparece em vários rankings como a multifilamento mais bem avaliada do mercado, entregando qualidade quase premium por um preço de entrada.
Poly Tour ProYonex
Giro suave, boa durabilidade
Nota TW: 84/100
Co-poliésterRedondo1.25mm
Potência45
Controle86
Conforto72
Giro79
Durab.85
Retenção83
Nível recomendado: Intermediário/Avançado
Japão · Lançada em 2011
História: lançada por volta de 2011, ficou conhecida por resolver um problema clássico do poliéster — ser mais macia e amigável ao braço sem perder controle — graças ao método "Thermo-Stretch" da Yonex.
Babolat RPM Blast
RPM BlastBabolat
Giro pesado, a corda de Nadal
Nota TW: 85/100
Co-poliésterOctogonal1.25mm
Potência43
Controle90
Conforto61
Giro97
Durab.90
Retenção74
Nível recomendado: Avançado
França · Lançada em 2010
História: surgiu misteriosamente nas raquetes de alguns jogadores no Aberto da Austrália de 2010 — logo revelada como a nova corda octogonal da Babolat. Rafael Nadal a adotou e nunca mais largou: foram centenas de km de RPM Blast usados ao longo da carreira dele.
Wilson NXT
NXTWilson
Potência com toque macio
Nota TW: 85/100
MultifilamentoRedondo1.30mm
Potência86
Controle76
Conforto89
Giro74
Durab.64
Retenção65
Nível recomendado: Intermediário
EUA · Lançada em 1999
História: lançada como resposta sintética à tripa natural, também foi eleita a corda mais jogável pela USRSA em 1999 — construída com cerca de 1.600 microfibras, virou sinônimo de conforto premium.
Luxilon Element
ElementLuxilon
O poliéster mais macio da Luxilon, conforto raro pra categoria
Nota TW: 85/100
Co-poliésterRedondo1.30mm
Potência64
Controle83
Conforto73
Giro85
Durab.81
Retenção75
Nível recomendado: Intermediário/Avançado
Bélgica · Lançada em 2015
História: a resposta da Luxilon — a marca que praticamente inventou o poliéster de tour com a ALU Power — pra quem ama a marca mas sofre com a rigidez clássica dela. Usa uma construção "multi-mono" com fibras internas pra suavizar o impacto sem perder a essência de poliéster.
Volkl Cyclone
CycloneVölkl
Ótimo equilíbrio entre giro, controle e durabilidade
Nota TW: 89/100
Co-poliésterTorcido (10 lados)1.30mm
Potência67
Controle93
Conforto83
Giro92
Durab.89
Retenção78
Nível recomendado: Avançado
Alemanha · Marca fundada em 1923, tênis desde 1972
História: a Völkl nasceu em 1923 na Baviera fazendo botes e trenós, e só entrou no tênis em 1972 — estreou revolucionando o mercado com a Zebra, a primeira raquete 100% fibra de vidro. A Cyclone carrega essa engenharia alemã pro fio: perfil torcido de 10 faces que morde a bola sem sacrificar durabilidade, um dos poliésteres com melhor equilíbrio geral do mercado.
Solinco Hyper-G verde
Hyper-GSolinco
Giro explosivo, jogo agressivo de fundo
Nota TW: 90/100
Co-poliésterQuadrado1.30mm
Potência51
Controle96
Conforto73
Giro92
Durab.87
Retenção73
Nível recomendado: Avançado
Taiwan · Lançada em 2014
História: desenvolvida com a ajuda do ex-tenista profissional Donald Young a partir de 2014, foi a primeira corda neon adotada em nível profissional — o início do que ficou conhecido como a "revolução neon" das cordas de giro.
ALU PowerLuxilon
O poliéster mais jogado do tour, controle puro
Nota TW: 94/100
Co-poliésterRedondo1.25mm
Potência58
Controle90
Conforto77
Giro86
Durab.94
Retenção81
Nível recomendado: Avançado
Bélgica · Lançada em 1994
História: a corda que mudou o tênis pra sempre. Lançada em 1994 pela belga Luxilon, ficou famosa quando Gustavo Kuerten venceu Roland Garros de 1997 com ela — o primeiro Grand Slam vencido com poliéster. Nascia o "efeito Luxilon": bolas de topspin pesadas que pareciam sair e caíam dentro na última hora. Foi o fim da era saque-e-voleio e o início do tênis de fundo de quadra que conhecemos hoje — mais da metade dos campeões de Grand Slam masculino desde então jogaram com Luxilon.

Potência/Controle/Conforto/Giro em escala de 0 a 100, dos testes da Tennis Warehouse (exceto as 3 Pro's Pro, marcadas com ≈ por serem estimativas). Calibre representativo — a maioria dessas cordas existe em mais de uma espessura. Ano de lançamento não encontrado pra algumas cordas da Pro's Pro (marca não divulga essa informação). Tensão ideal depende também da raquete e do jogador; combine sempre com quem for encordar.


Guia rápido por objetivo

Um ponto de partida — o professor sempre pode ajustar junto com você na hora de encordar.

Potência
MaterialNylon ou multifilamento
TensãoMais baixa

Quero mais força na bola sem precisar gerar tudo sozinho — corda mais macia e mais solta faz a bola "saltar" mais.

Conforto
MaterialMultifilamento
TensãoMais baixa

Sinto dor no braço/cotovelo — prioridade é absorver o impacto, não gerar potência ou controle extra.

Controle & giro
MaterialCo-poliéster texturizado
TensãoMais alta

Jogo agressivo, bato forte e quero efeito — corda mais rígida e com formato que morde a bola.

Durabilidade & economia
MaterialNylon ou co-poliéster grosso
Calibre1.30mm+

Jogo casual e não quero trocar toda hora — prioridade é a corda aguentar mais tempo sem perder muita jogabilidade.

A corda certa depende de testar. Esses perfis são um ponto de partida — o professor Lucas pode te ajudar a escolher e ajustar a tensão na hora de encordar, olhando pro seu jogo e pro seu braço.

Pronto pra encordar?

Veja as opções e preços disponíveis, ou me chama no WhatsApp pra conversar sobre qual corda e tensão fazem mais sentido pro seu jogo.